Produtor Murilo Coelho lança primeiro gim paraibano

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Leia entrevista sobre a história da marca Nobre

Ele é mineiro, engenheiro civil e se apaixonou pela Paraíba quando veio abrir uma filial da empresa que trabalhava. A família se adaptou e um dia acordou com a ideia de produzir cachaça. Já apreciava a bebida genuinamente brasileira mas não vinha de família de produtor. Dedicou-se a aprender durante cinco anos, quando fez diversos cursos. Atualmente Murilo Coelho possui o engenho Nobre, em Cruz do Espírito Santo, é produtor de várias cachaças premiadas, entre elas a Nobre e Arretada, produz um rum, o Corsário e, agora, lança o primeiro gim produzido na Paraíba.

. Como começou a paixão por cachaças e fale sobre elas.

–  Eu fui pra dentro do engenho e apaixonei. Me sinto muito bem e hoje posso dizer que sou especialista de cachaça, porque nos últimos cinco anos me dediquei a estudar e fiz muitos cursos. A primeira ideia era fazer duzentos e cinquenta mil litros, e preparamos a estrutura para isso, mas na primeira safra algumas coisas não deram certo e isso foi bom para o aprendizado. Em 2017 lançamos a cachaça Nobre, a Sapequinha e a Arretada. Nosso principio básico é a qualidade. A Sapequinha vem de um blend e é excelente, em garrafas de 350ml. Já a Nobre avançou muito rápido. Quando eu lancei,  ganhou logo uma medalha de prata no Concurso de Bruxelas, na etapa do Brasil. No segundo ano ganhamos a medalha de outro no Salão da Cachaça. Em 2018 ficamos entre as cinquenta melhores no ranking da Cúpula da Cachaça, um dos mais importantes. Fiquei muito feliz de estar junto com marcas tradicionais como Serra Limpa e Volúpia, cachaças respeitadas em todo o Brasil. O objetivo era estar entre as melhores. A Arretada já é envelhecida. O nome é especial para homenagear a Paraíba, e ela veio para mostrar que é arretada mesmo. Os meus rótulos são criados por Sérgio Sombra que faz um trabalho maravilhoso. É envelhecida dois anos em barril europeu.

. Você não vem de família de produtor e construiu um engenho moderno e biossustentável, em Cruz do Espírito Santo…

– O Engenho em Cruz do Espírito Santo, provavelmente, é o menor da Paraíba, mas essa é a ideia. Minha proposta é qualidade e inovação. Por isso, como engenheiro, queria aplicar algumas coisas nesse engenho. Ia fazer de terra compactada, mas não encontrei um profissional para isso. Então encontrei o Samir, um técnico em bioconstrução, que me falou do hiper abobe, e vi que a concepção me atendia. O resultado são paredes muito grossas que dão conforto térmico evitando perdas na produção. Temos uma postura de investir nos produtos do engenho Nobre com muita qualidade

. O Engenho Nobre está aberto a visitação agendada, através do instagram @engenhonobre. O que o visitante vai ver?

–  No engenho o visitante encontra uma arquitetura diferente, voltada para a bioconstrução e meio ambiente, tem tratamento de esgoto anaeróbico, tratamento de água biológico. Isso é um diferencial, e sobretudo o visitante vai aprender sobre cachaça. Eu mesmo recebo as pessoas e explico tudo sobre  como degustar uma boa cachaça É o que eu chamo de experiência Nobre: no engenho eu tenho cachaça branca, envelhecida, blends, umburana, madeira neutra, madeira ativa, rum e gim. O visitante vai aprender que a cachaça tem mais a oferecer do que uma simples lapada. Eu vejo que as pessoas não apreciam o que estão bebendo. Precisam aprender a beber com mais qualidade e conhecimento. Oferecemos frutas, degustação, visita guiada ao engenho. A  visita agendada dura cerca de uma hora Na parte da degustação ressaltamos a importância de saber beber, pois a cachaça é muito mais do que a sensação do álcool. Tá na hora de aprender.

. A imagem da cachaça, apesar de ser a bebida brasileira, ainda é muito ruim,,,

– A imagem da cachaça é ruim e a mídia não ajude nisso ai. A imagem de quem bebe cachaça ainda é cheia de preconceitos. Quando se fala em rum a imagem é de alegria, de pirata,,, de vinho, sofisticação, a imagem da cachaça tem que mudar e isso muda com educação. A Paraíba é o único estado da federação onde a cachaça de alambique vende mais do que a industrial Isso mostra que o pessoal entende que a cachaça de alambique tem algo mais a oferecer. Não que as cachaças industriais não sejam boas, também são. A divulgação da mídia é muito importante. É preciso melhorar o conceito da cachaça dentro do consumo consciente. E educação é a base de tudo, aprender a beber com qualidade.

– O Engenho Nobre está se transformando numa destilaria. Já produz muitas cachaças e até um rum…

– O Rum Corsário é um rum diferente do convencional. O Marcelo Teixeira,  doutor em fermentação, foi o parceiro e fez o rum Corsário com uma outra levedura. É um processo complicado e foi uma patente que já estava quebrada  que ele adaptou . É um rum que não perde em nada para os runs caribenhos, que são os melhores do mundo e apesar  de  ser envelhecido apenas dois anos e meio o  resultado é compatível com os melhores runs do mundo. Lancei 450 garrafas e a venda foi muito boa. Vamos dar continuidade.

. E agora você decidiu fazer o primeiro gim paraibano, o Gim Nobre…

– Fiz um curso de gim e passei a gostar. Todo gim esse tem zimbro, semente de coentro raiz de angélica, o nosso tem ainda casca de laranja, alcaçuz, canela, cravo da índia, castanhas. Eu achava que o gim não era a minha praia, mas aprendi a gostar muito. Para as pessoas que gostam de drinks esse é especial, fantástico, uma receita da dra. Aline Bortoletto,  maior especialista em gim do Brasil, numa parceira fantástica. O Sebrae foi de suma importância no apoio para a produção do gim Nobre. O gim vai ser vendido por alguns parceiros, entre eles o empório Meat Up e as casas do sertão,  e vou vender pelo instagram.

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