Entrevista: Kalyne Lima, a paraibana que luta pela população das favelas

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Ela é vice presidente nacional da Cufa

Ela está à frente da Cufa – Central Única das Favelas aqui na Paraíba, e é vice presidente nacional da organização que vem atuando de maneira fundamental nas comunidades carentes, sobretudo agora, na pandemia. Para muitas famílias as doações da Cufa são o único alimento que recebem.  Kalyne Lima é paraibana, formada em jornalismo pela UFPB, atua na área social desde 1998, e está construindo sua vida marcada pela defesa dos direitos da população das favelas e na luta pela garantia de direitos sociais.

. Como é a atuação da Cufa na Paraíba ?

– A Cufa atua na Paraíba desde 2008, e vem desenvolvendo ações em 50 territórios vulneráveis, na grande João Pessoa e em Campina Grande, com as campanhas Cufa contra o vírus e Mães da Favela. Em 2020 chegamos ao número de 20 mil famílias atendidas e agora, em 2021, estamos intensificando para ampliar esse número.

. Houve uma mudança da Cufa para atuar na pandemia…

– A Cufa sempre foi uma organização conhecida e reconhecida por atuar na valorização das potencialidades das favelas através da educação, da cultura, do esporte, da arte, e, sobretudo, do empreendedorismo, mas desde março de 2020 que nós todos encerramos essas atividades para concentrar nossas energias, criatividade, tecnologias sociais e toda a nossa articulação de rede em prol dos programas Cufa contra o vírus e Mães da Favela.

. Fale um pouco sobre o Mães da Favela

– O Programa Mães da Favela surgiu para que a gente pudesse concentrar nosso foco num público muito importante dentro dos territórios. A gente sabe que 47% das lideranças comunitárias são mulheres, e elas são responsáveis pela gestão financeira de grande parte das famílias de favela. Elas são as pessoas que cuidam prioritariamente das crianças, mais vulneráveis, cuidam dos mais idosos, dos acamados, então a gente entendeu que elas seriam as grandes parceiras na gestão das doações, e é isso que acontece. Em 2020 o programa chegou a atender um milhão e meio de mulheres em cerca de cinco mil favelas no Brasil, atingindo seis milhões de pessoas e mobilizando cerca de centro e oitenta milhões de reais. Continuamos em 2021 para ampliar o programa…

. Quantas favelas existem em João Pessoa ?

– No último levantamento que fizemos já ultrapassava 150 territórios vulneráveis, que consideramos favelas. É um número impreciso porque, eventualmente, surgem novas aglomerações.

. As empresas apoiam e fazem doações para a Cufa ?

– A nível de Brasil nós temos muitas empresas parceiras Sugiro ver o nosso site www.maesdafavela.com.br, lá tem todas as informações e como doar. Aqui na Paraíba não temos tido o mesmo êxito de outros estados do país, em relação a empresas. Aqui temos tido adesão de pessoas físicas, de condomínios, de escritórios, mas não de empresas. Recebemos doações de origens variadas, desde alimentos para a cesta básica até as cestas básicas digitais, que são transferências de renda muito importantes neste momento, porque as mães conseguem usar no mais necessário para a sua família, e também doações de roupas, móveis, tudo que repassamos.

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