Nesta entrevista a museóloga Maíra Dias fala sobre a importância dos museus

Você sabia que existem vários tipos de museus? Confira.

Maíra de Oliveira Dias é museóloga da Universidade Federal da Paraíba e faz parte do time de ativistas dos museus, lutando para que mais espaços sejam dedicados a nossa memória. Ela é formada em Museologia pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro, tem Especialização em Artes pela Faculdades Integradas de Jacarepaguá e Mestrado em Ciências das Religiões Atualmente cursa doutoramento em Patrimônio Cultural e Religião. Na entrevista fala sobre museus na Paraíba e seus desafios.

– A gente acha que aqui na Paraíba temos poucos museus…

. É preciso saber o que é museu. Na verdade o senso comum acha que museu é um lugar de coisa velha, e todos ficam pensando que é um prédio histórico. Quando a gente expande a noção de museu a gente vê que a Paraíba tem muitos espaços museológicos. Eu gosto de citar o Parque Arruda Câmara, a Bica, que é um museu de acervo vivo. Tem exposição permanente, temporária, tem programação paralela, e é extremamente visitada. Pra museologia aquilo é um museu e precisa ser tratado como um museu. 

– Quantos museus na Paraíba, ao todo?

. Temos o Memorial da Justiça, temos a Fundação Casa de José Américo, na UFPB temos a Pinacoteca, temos o Núcleo de Arte Contemporânea, Museu de Cultura Popular, lá na Universidade Federal temos coleções científicas também. São ao todo 94 museus na Paraíba, registrados pelo Iphan, o que é um número muito bom. 

– E são vários tipos de museus…

. Sim, tem ainda o museu de território, que um exemplo é o Porto do Capim, que tem um modo de vida próprio, que pode ser visitado. Às vezes não tem o nome museu mas é um museu. Cabaceiras tem museu, Sapé tem museus. E eles são altamente visitados. Tem a Casa de Margarida Maria Alves, tem o Memorial Jackson do Pandeiro, tem o Museu do Patrimônio Vivo da Escola Olho do Tempo, que já ganhou prêmios nacionais. A Paraíba tem pouca referência de seus museus mas a população se relaciona muito bem com eles.

– O Museu tá muito ligado ao turismo. Isso é bom ou ruim?

. O Museu precisa do turista para divulgar o nome, aumentar o número de visitações, mas o Museu não deve sobreviver apenas para o turista, ele tem que estar muito atento a sua comunidade É o que faz a Fundação Casa de José Américo. O Museu não sobrevive somente com o turismo. A principal função do museu é estar junto com a sua comunidade, promover ações para a comunidade de seu entorno, fazer com que a comunidade participe dos eventos propostos pelo museu, afinal, é a comunidade que mantem a vida do museu. O museu não pode ser apenas para quem é de fora.

– Na sua opinião é preciso haver uma articulação entre os museus?

. Sim, isso é muito importante. É preciso articular com a própria comunidade onde está inserido e criar articulação de uma rede estadual que reúna todos os museus na Paraíba. Muitos Estados adotaram o modelo de rede de museus reunindo os museus estaduais, municipais e privados, todos unidos, numa rede estadual de museus. Isso não significa que o Estado vai bancar nada. É apenas articulação. Uma articulação estadual para que todos que atuam nessa área possam trocar experiências, aprender uns com os outros, se filiarem ao Instituto Brasileiro de Museus.

– Quando se fala em museu achamos, sempre, que eles são públicos, mas há os privados.

. Sim, tem museu privado. Mas todo museu, mesmo o privado, tem uma função social. Pode cobrar ingresso, sim, mas tem que dar uma contrapartida a população. Um dia tem que ter visitação gratuita, acessibilidade não só física, mas o direito a participação gratuita definida. Os museus que são criados de forma abrupta tem dificuldade de se organizar. O Museu é um processo que vai acontecendo. 

FONTE: Entrevista a Rosa Aguiar

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