Category: Entrevistas

  • Entrevista: Diego Santos, gerente geral do Tauá João Pessoa

    Entrevista: Diego Santos, gerente geral do Tauá João Pessoa

    Ele fala sobre os bastidores da inauguração do resort, dia 25 de março e traz outras novidades.

    Diego Santos não seguiu um caminho tradicional de carreira na hotelaria. Natural de Belo Horizonte (MG), iniciou no mercado no circo, ainda na adolescência, e construiu uma trajetória profissional marcada pela arte e pela circulação em festivais e projetos culturais. Nesse contexto surgiu o primeiro contato com o Grupo Tauá, em uma iniciativa que levou experiências circenses ao ambiente corporativo, dentro dos resorts. “Comecei como recreador e fui assumindo responsabilidades maiores, sempre com preparação e dedicação”, lembra.

    .  Como aconteceu a transição do circo para a hotelaria?
    – Comecei muito jovem, aos 14 anos, com aulas de circo em Belo Horizonte, e me profissionalizei na área. Participei de festivais e criamos um grupo que levava espetáculos e oficinas para teatros, shoppings e hotéis. Em um desses projetos, desenvolvemos o “Circo Empresarial” dentro do Tauá, com experiências voltadas para empresas. A partir daí, comecei a atuar como recreador freelancer no resort e, por volta de 2010, entrei para os Taualegres (equipe de recreação e entretenimento do Tauá). Naquele momento, ainda mantinha o foco na arte circense, mas me identifiquei com o propósito da empresa e em 2018, recebi o convite para assumir a gerência de lazer no Grande Hotel Termas de Araxá e decidi migrar de vez para a hotelaria.

    . Como foi essa evolução dentro da rede até chegar à gerência geral?
    Depois de Araxá, tive uma breve passagem pela unidade em Caeté, segui para Alexânia como gerente de lazer e, posteriormente, assumi a gerência operacional. Em seguida, cheguei à gerência geral em Caeté e agora estou à frente da unidade de João Pessoa. É uma trajetória construída ao longo do tempo. Comecei como recreador e fui assumindo responsabilidades maiores, sempre com preparação e dedicação.

    . O que se pode esperar da unidade do Tauá João Pessoa? E qual a expectativa de quem está trabalhando no resort?
    – A expectativa começou antes mesmo da estrutura ficar pronta. Existe um desejo antigo do Grupo Tauá de levar a hospitalidade mineira para o litoral. João Pessoa surgiu como uma combinação ideal de uma cidade valorizada, uma cidade excelente, com forte potencial turístico e aqui em João Pessoa estamos com a oportunidade de colocar o melhor do Tauá à disposição dos nossos futuros hóspedes. Aqui reunimos aprendizados de outras unidades. Trouxemos o que funcionou melhor e ajustamos o que precisava evoluir. O resultado é uma estrutura completa, com centro de eventos, teatro, áreas segmentadas para diferentes faixas etárias, principalmente para crianças com a Divertópolis, e um spa com diversas experiências, incluindo haloterapia (terapia alternativa que ajuda no tratamento de problemas respiratórios por meio da inalação de micropartículas de sal). E a beleza de João Pessoa, não tem o que falar ainda. É um lugar muito privilegiado e nossa expectativa é de um crescimento muito rápido, não só pela popularidade que a cidade vem alcançando, mas por toda a estrutura do Tauá João Pessoa, que é enorme.

    . Quais são os principais desafios da implantação da unidade do Tauá João Pessoa?
    – O primeiro desafio é o entendimento do turismo de praia, que ainda não faz parte da origem da rede. Por isso, formamos uma equipe híbrida, com lideranças internas e profissionais experientes em resorts de litoral. Outro ponto é a escala da operação. Abrir com tantos apartamentos exige precisão. Ao mesmo tempo, contamos com processos já consolidados ao longo de 40 anos de experiência, o que traz segurança para receber as pessoas e mostrar nosso trabalho.

    . Como vocês pretendem integrar a cultura local à experiência do Tauá, ao jeito mineiro de acolher?
    – Vamos trabalhar com três vertentes. A primeira é manter a essência da rede, com sua identidade e personagens, onde não podemos deixar de lado nossa hospitalidade, nossa forma de ser, que está na nossa cultura, a essência do DNA do Grupo Tauá. A segunda é aproximar os espaços infantis, fazer com que as crianças se sintam alegres aqui, principalmente com os Taualegres, com o restaurante infantil, que é todo decorado de forma temática e a terceira vertente é o encontro dessas duas culturas. Há semelhanças entre a cultura do Grupo Tauá e Paraíba, principalmente na valorização das raízes culturais e da culinária. Essa combinação orienta toda a experiência.

    . Do ponto de vista pessoal, como você encara essa responsabilidade, você que está a 15 anos no Grupo Tauá?
    – É um desafio que encaro com satisfação. Existe gratidão pela oportunidade, porque não é comum alguém sair da recreação e chegar à gerência geral. Há o meu trabalho, o quanto me dediquei e a oportunidade que o Grupo Tauá me deu, que valorizei para concretizar meus objetivos.   Também houve preparo. Quando me tornei gerente de lazer, estabeleci como meta chegar à gerência geral em cinco anos, e isso se concretizou, estar aqui na Paraíba é fruto desta  dedicação. Agora, a responsabilidade aumenta, com uma operação duas vezes maior em número de emocionadores (termo utilizado para todos os colaboradores, com a missão de tocar o coração dos hóspedes) e mais que o dobro de quartos que a unidade de Caetés, mas é um bom desafio. Fui muito bem recebido pela cidade, me adaptei facilmente, tem uma beleza natural impressionante, tenho certeza que será muito bom.

    . Como está estruturada a equipe do Tauá João Pessoa?
    – A operação conta com um gerente geral, um gerente operacional e cerca de 18 gerentes de área, incluindo spa, alimentos e bebidas, financeiro e recursos humanos. Na inauguração, na semana que vem, estaremos com aproximadamente 780 colaboradores, que são prioritariamente locais. A rede também prioriza o desenvolvimento interno, então há espaço para crescimento profissional ao longo do tempo.

    . Que mensagem você deixa para os futuros hóspedes?
    -Para quem já conhece o Tauá, a proposta é manter o padrão de experiência, com consistência. Para quem ainda não conhece, fica o convite para vivenciar nossa cultura. Nosso diferencial está nas pessoas e na forma de receber. Estamos trazendo essa essência para João Pessoa, com uma estrutura pensada para acolher diferentes perfis de público.

  • Entrevista: Madalena Zaccara, que lança novo livro

    Entrevista: Madalena Zaccara, que lança novo livro

    Mulheres que resistem nas margens: Arte e gênero na Paraíba, será lançado dia 14 próximo

    Madalena Zaccara é paraibana de João Pessoa, professora do Departamento de Artes Visuais da UFPE, historiadora de arte, pesquisadora e escreve sobre artes visuais há cerca de trinta anos. Junto com a co- autora Sabrina Melo, doutora em Museologia e História da Arte e  professora da UFPB, lançam dia 14 de março o livro Mulheres que resistem nas margens: Arte e gênero na Paraíba, no Sesc Cabo Branco, às 10h. Madalena conversou com a jornalista Rosa Aguiar sobre o novo livro.

    . A mulher foi apagada nos registros históricos em diversas áreas. Me fala de seu trabalho em relação as artes.

    – Trabalhar com o apagamento da mulher no universo das artes visuais, principalmente no Nordeste, ainda é uma ação de resgate. Da memória mesmo. Em 2017 coordenei atividade semelhante em Pernambuco ( incentivada pelo Funcultura) e em 2021 publiquei mais um livro também utilizando verbetes .Foi u o produto de um pós doutorado com apoio da Capes realizado em Paris. De uma maneira geral tenho trabalhado com a história da arte do Nordeste

    . Você possui um grupo de estudo sobre a mulher nas artes na Paraíba. Como ele atua?.

    – Sim, atuamos no grupo de estudos Mulheres Artistas Visuais na Paraíba, projeto de extensão, que após três anos de atividades,  lança  o livro “Mulheres que resistem nas margens: Arte e Gênero na Paraíba. A obra se dedica a investigar, documentar e valorizar parte da trajetória das mulheres artistasvisuais que atuaram na Paraíba, com recorte temporal que se iniciana década de 1920 e se estende aos dias atuais.

    livromadalena
    livromadalena

    . O livro tem uma versão física e digital, não é?

    – Sim, o livro é ilustrado, e na versão e-book ilustrações melhor editadas. Na  versão papel tivemos os limites do patrocínio e elas são em preto e branco. Tivemos acesso através da pesquisa em acervos públicos e privados..

    . O livro traz a tona perfis de mulheres nas artes na Paraíba como Alena Sá, Marlene Almeida, Gina Dantas, de épocas diferentes …

    – Na verdade cada perfil construído revela naturalmente novas informações. Algumas nos surpreendem. Saber da existência de um ateliê para ensino da pintura, em João Pessoa, dos anos 20, sob o comando de uma artista que foi também muito atuante no cenário artístico paraibano, é  fascinante. E o caso de Amelinha Theorga, uma das artistas paraibanas mais marcantes de sua geração.

    . O livro traz um reconhecimento muito importante para essas mulheres artistas…

    – A história é dinâmica. O conhecimento se aprofunda. No campo artístico também. O livro contribui como fonte para pesquisadores que pode aprofundar o conhecimento sobre a obra das artistas pesquisadas, contribuindo assim para a ampliação da história da arte É um registro. Uma fonte. Para quem está perfilada no livro, ele é  referência para essa e as próximas gerações ..

  • Entrevista: Mayana Neiva

    Entrevista: Mayana Neiva

    Artista compartilha trajetória marcada pela versatilidade e pela busca de sentido

    A atriz, diretora e produtora cultural Mayana Neiva é reconhecida por sua atuação marcante no teatro, cinema e televisão brasileira. Recentemente ela apresentou ao público mais uma vertente artística, desta vez no mundo da música, ao cantar no Concerto de Natal em João Pessoa, acompanhada da Orquestra Sinfônica Municipal de João Pessoa, da Big Band 5 de Agosto e Companhia Municipal de Dança de João Pessoa. Na entrevista ela fala sobre a versatilidade da carreira, sobre busca interior, meditação, contato com a natureza e como esses elementos lhe ajudam a crescer enquanto ser humano.

    . Mayana, você já mencionou que a meditação foi “uma das maiores revoluções da sua vida” e que começou a praticar após uma experiência difícil em Nova York. Como essa prática tem influenciado sua forma de encarar desafios e emoções hoje?

    – A meditação é uma abertura, por onde a gente é capaz de respirar livre das percepções que nos apertam. Então, assim, meditação é um recurso para voltar para o nosso estado natural. Então, eu sinto que esse exercício de abrir a visão que a meditação traz, ela possibilita muita força na vida e mudou a minha vida, me deu um chão, me deu uma base, me deu recursos para não me misturar com tudo que acontece e lembrar que eu tenho uma escolha. Dar um passo atrás e olhar para as coisas com mais espaço ajuda a gente a viver. A mente que cria o problema não é a mesma mente que resolve. A meditação me faz acessar essa mente que resolve o problema, sabe? Então, ela areja a minha vida de muita força.

    . Que papel a natureza desempenha na sua rotina de autoconhecimento e na construção da sua felicidade genuína?

    – A natureza é esse lugar onde as coisas já repousam no estado de abertura, né? Você vai para a natureza e só de botar o pé no chão, no verde, e você tá num espaço, quando você tem um horizonte já te coloca no ritmo natural, né? Acho que o ser humano com essas metas e lugares imaginários de sucesso, a gente vive rodando que nem um rato atrás do próprio rabo, em direção a um lugar que a gente não sabe qual é, e a natureza, ela faz o convite para a gente estar simplesmente na presença, e é dentro do presente que a vida se oferece, que a vida floresce, né? Dentro do presente que a vida floresce. É dentro do aqui e agora que acho que a natureza para mim faz esse convite para a gente, por isso que eu acho que faz tão bem para mim estar perto dela.

    .Em suas palestras você aborda temas como “A Felicidade Não Está Lá Fora” e lideranças conscientes. Como você define felicidade genuína na sua vida hoje e de que forma isso se manifesta em suas escolhas pessoais e profissionais?

    -Felicidade genuína é fazer o que eu amo fazer, é estar conectando a minha alma, meu propósito, com a minha profissão. Quando eu falo essa palestra, quando eu vou dar a palestra, eu tenho um flow que eu sinto que eu me preparei a vida inteira para o compartilhar desse momento. Passei anos estudando, 12 anos dentro do Budismo Tibetano, fazendo cursos, fiz pós-graduação no Einstein, gestão emocional nas corporações, tudo isso para ir me habilitando a compartilhar esse lugar, que tem sido a minha busca diária, desde que eu me entendo por gente, essa busca pelo alinhamento do nosso propósito e da conexão que isso tem com a nossa felicidade genuína. Então, “A Felicidade Não Está Lá Fora” é um presente que eu amo compartilhar com as pessoas, é uma descoberta, é como vestir meu coração pra fora, é o melhor de mim ali, que eu sei que posso ofertar.

    .Quais práticas você recomenda para pessoas que estão começando agora a explorar meditação e autoconhecimento?

    -Muitas vezes é isso, a presença. Só a presença parece simples, parece uma palavra meio banalizada, mas mesmo estando presente, a maioria das pessoas está entre a ansiedade do futuro ou melancolia do passado. Estar presente e no presente, olhando a vida nos olhos agora e entendendo o que está por trás de cada situação, que cada lição, que cada situação vem nos ensinar. Acho que é só estando no presente que a gente consegue estar vivo da maneira mais ampla, em contato com a nossa oitava superior, em contato com quem a gente verdadeiramente é, e não em contato com memórias ou passado ou futuro com tempos que já não existem mais. Então eu acho que o presente é a cura, o poder do agora, ele muito importante.

    E nos tempos de hoje, onde a gente está sempre sendo levado em mil direções, mil grupos de WhatsApp, mil coisas acontecendo, a prática de uma respiração, uma meditação, uma oração, um caminhar na praia, um pé no chão na natureza pode trazer de reconexão, ele é muito importante. Pra mim esse caminho é o da meditação, mas eu sei que outras pessoas acessam de outras maneiras. Mas é importantíssimo que a gente tenha um caminho pra essa reconexão.

    .Sua trajetória inclui atuação, música, escrita e agora atividades de palestra e desenvolvimento pessoal. Ao refletir sobre essa multiplicidade de papéis, como você enxerga a integração entre arte, espiritualidade e propósito de vida?

    -Eu acredito que, para mim, essa é a tríade, essa integração entre arte, espiritualidade e vida. São as forças da minha vida que me conectam com a minha luz interior. Acho que a arte tem esse espaço para o claro e para o escuro dentro da gente, onde a gente expressa uma miríade de coisas. A meditação vai transmutar, transformar e ensinar pra gente qual é a lição que está por trás daquilo e a própria vida é o maior campo de aprendizado, todas as situações são salas de aula para a gente crescer, aprender, entender o que ali está sendo pedido para ser transformado em amor.

    Eu me sinto muito feliz de hoje estar com esses dois projetos, “A Felicidade Não Está Lá Fora” e o show “Tá Tudo Aqui Dentro” porque são duas vias de vestir meu coração para fora, de falar da mensagem que me transmutou a vida e são duas coisas que eu tenho muito, muito orgulho de compartilhar com o mundo o melhor de mim, enquanto eu, como atriz, o prazer é estar atrás dos personagens, mas nesses novos projetos eu me sinto mais à frente dessa mensagem que é bem particular em algum lugar e bem ampla em outro, que eu sinto que toca o meu coração, mas quando a gente fala daquilo que nos transformou a gente fala do nosso melhor para o mundo.

    .Qual mensagem deseja compartilhar com quem acompanha seu trabalho e que espera começar 2026 com equilíbrio?

    – Gostaria de desejar um feliz ano novo para todos e dizer que a gente sempre é convidado para estar mais próximo do nosso coração. Tudo que expande nosso coração é nosso caminho e que a gente possa entrar no flow dessa alegria, desse propósito, dessa luz, que é o convite divino para cada um de nós, a nossa expressão, a nossa alegria genuína, e que a gente possa estar sempre aprendendo com o que chega, tentando decifrar as lições que a vida vem nos ensinar e construindo pontos de afeto nas relações.

  • Entrevista: Diretor de Marketing Internacional da Embratur, Bruno Reis

    Entrevista: Diretor de Marketing Internacional da Embratur, Bruno Reis

    Ele fala sobre as estratégias para o mercado internacional de turismo e o prêmio Embratur Visit Brasil

    O Brasil trabalha com afinco para ser um destino competitivo no mercado internacional, e a Embratur vem fortalecendo suas estratégias de promoção turística com foco em resultados concretos, inteligência de mercado e sustentabilidade. É nesse contexto que surge o Prêmio Embratur Visit Brasil, uma iniciativa inédita realizada em parceria com a Revista Exame para reconhecer destinos, empresas e lideranças que contribuem de forma efetiva para fortalecer a imagem do Brasil no exterior. Segue entrevista com o diretor de Marketing Internacional, Negócios e Sustentabilidade da Embratur, Bruno Reis.

    .O que é o Prêmio Embratur Visit Brasil?

    – O Prêmio Embratur Visit Brasil, em parceria com a EXAME, é uma iniciativa criada para reconhecer e valorizar os melhores projetos que contribuem de forma significativa e efetiva para a promoção do turismo brasileiro no exterior. A ideia é destacar ações que realmente fortalecem a chegada de turistas internacionais aos destinos brasileiros.

    .O que levou a Embratur a criar esse prêmio?

    -Ele surge em um momento de grande destaque do turismo internacional no Brasil, com recordes na entrada de visitantes estrangeiros. É uma iniciativa inédita, criada para celebrar os 60 anos da Embratur, mas também para elevar e inovar o padrão das ações de promoção do país e reconhecer as melhores estratégias desenvolvidas pelo trade.

    .Quem pode concorrer e como funcionam as inscrições?

    -Podem concorrer empresas da cadeia produtiva do turismo, como aeroportos, Convention & Visitors Bureaux, hotéis, companhias aéreas e empresas de tecnologia, além de cidades, estados e regiões turísticas que realizam promoção internacional. Também entram iniciativas de turismo regenerativo sustentável e lideranças femininas do setor.

    As inscrições estão abertas e devem ser feitas pelo site oficial do prêmio até 25 de janeiro de 2026.

    .Quais critérios orientaram a definição das categorias?

    -Nesta primeira edição, pensamos em categorias que reconhecem os atores com maior interação e visibilidade junto ao turista estrangeiro, que contribuem de forma direta para a promoção internacional do Brasil. Também demos atenção especial ao segmento MICE, aos projetos que fortalecem a reputação sustentável e inovadora do país e ao reconhecimento de lideranças femininas, incentivando a equidade de gênero no setor.

    .O prêmio traz requisitos transversais de sustentabilidade e diversidade. Como eles funcionam?

    -Esses critérios garantem que os vencedores representem o conceito de excelência responsável. Não basta ter bons números ou uma campanha criativa. É obrigatório demonstrar impacto social positivo e respeito à diversidade brasileira. A diversidade não é um checklist, mas um valor central. Ações alinhadas à preservação ambiental, à valorização cultural e ao respeito às diferenças fortalecem a imagem do Brasil no exterior e atraem turistas mais conscientes.

    .Por que criar uma categoria específica para mulheres no turismo?

    -Essa categoria nasce do reconhecimento do papel fundamental das mulheres no desenvolvimento, na inovação e na promoção do turismo brasileiro. Queremos dar visibilidade às lideranças femininas, valorizar suas trajetórias e incentivar a equidade de gênero no setor. Além dela, também destacamos categorias como Prática Sustentável e Turismo Regenerativo.

    .Para a Embratur, o que caracteriza uma ação de promoção internacional bem-sucedida?

    -Uma boa ação precisa estar alinhada ao Plano Brasis. Ela começa com inteligência de mercado e dados concretos, passa por uma atuação integrada entre os atores locais e chega à execução com foco em conversão e resultados mensuráveis. Para a Embratur, uma ação bem-sucedida é aquela que transforma estratégia em impacto real, baseada em evidências e em colaboração.

    .Existe uma conexão direta entre o prêmio e o Plano Brasis?

    -Sim. O prêmio reconhece empresas, destinos e personalidades que atuam alinhadas ao Plano Brasis, fortalecendo a imagem do Brasil no exterior e contribuindo para a geração de empregos e divisas no país.

    .Qual o impacto esperado do prêmio para o trade turístico nacional?

    -O Prêmio Embratur Visit Brasil funciona como um catalisador estratégico. Ele eleva o padrão de excelência, transforma vencedores em referência de mercado e unifica o discurso do trade com as diretrizes da Embratur. Além disso, fortalece a profissionalização do setor ao integrar diversidade e princípios ESG como requisitos centrais, consolidando um modelo de turismo mais competitivo, inovador e socialmente responsável. (Assessoria de Imprensa)

  • Entrevista: “Nordeste pode alcançar autossuficiência no setor moveleiro

    Entrevista: “Nordeste pode alcançar autossuficiência no setor moveleiro

    Vice-presidente da Abimóvel e diretor do Grupo OFFICINA, Adeilton Pereira, analisa evolução, desafios e oportunidades do setor moveleiro do Nordeste

    O setor moveleiro do Nordeste tem crescido de forma consistente nos últimos anos. Segundo o Instituto de Estudos e Marketing Industrial (IEMI), a região registrou alta de 15,7% na produção de móveis entre 2019 e 2024. A combinação entre população numerosa e renda em evolução reforça esse movimento.Com mercado interno forte e ampliação do PIB regional, o Nordeste se destaca como uma das áreas mais promissoras do país. Entre os grupos que acompanham esse avanço está o Grupo OFFICINA, que atua há quase três décadas na cadeia moveleira.

    Para o vice-presidente da Abimóvel – Associação Brasileira da Indústria do Mobiliário  e sócio-diretor do grupo, Adeilton Pereira, a produção tende a se tornar cada vez mais regionalizada. “O Sul e o Sudeste seguem importantes para o setor, mas acredito que o futuro será mais descentralizado. O Nordeste tem potencial para alcançar autossuficiência e isso vale para diversas atividades econômicas”, afirmou o executivo.

    . Dados recentes revelam como o Nordeste tem ganhado protagonismo na produção e no consumo de móveis. Na sua avaliação, quais são os principais diferenciais competitivos que colocam o setor moveleiro do Nordeste em posição de destaque?

    – É importante lembrar que o Nordeste voltou a ser a segunda região que mais consome móveis no Brasil. Há poucos anos, essa posição havia sido ocupada pelo Sul. Esse retorno mostra a força de consumo, o tamanho da população e a melhora gradual da renda.No campo produtivo, o tamanho do mercado favorece a instalação de fábricas locais ou vindas de outras regiões. A logística também pesa muito. As distâncias são longas e a infraestrutura ainda é limitada. Produzir perto de onde se consome é um diferencial competitivo importante. A longo prazo, o setor moveleiro do Nordeste tem grande potencial para exportação, já que está mais próximo da Europa e dos Estados Unidos.

    . Nos últimos anos, o setor moveleiro do Nordeste tem enfrentado desafios com a escassez de mão de obra qualificada. De que forma a região pode transformar essa dificuldade em oportunidade?

    – Esse é um desafio nacional. No Sul, a massa de trabalhadores é menor, mas o nível de qualificação é maior. No Nordeste, ocorre o oposto. O caminho é investir em formação profissional. Isso inclui centros de capacitação, parcerias educacionais e programas de primeiro emprego.Hoje, essa escassez é um gargalo que limita o crescimento e pode frear um avanço mais acelerado.

    . A sustentabilidade deixou de ser diferencial e passou a ser exigência. Como as indústrias do setor moveleiro do Nordeste podem se destacar nesse cenário?

    – A sustentabilidade é uma exigência mundial. E o Nordeste tem o privilégio de contar com uma matriz energética limpa e grande potencial em energia solar e eólica. O clima nos favorece muito.A responsabilidade ambiental começa na escolha dos fornecedores e passa pela eficiência no processo produtivo, com mínima perda de materiais. Envolve ainda a destinação correta de resíduos. Sempre que possível, utilizar práticas de economia circular, para que o produto tenha novas utilidades após o uso primário.

    . Pensando a longo prazo, como o setor moveleiro do Nordeste pode se preparar para a internacionalização?

    – O Nordeste já despertou para esse movimento. O primeiro passo é valorizar elementos naturais e culturais da região no design do mobiliário regional.

    Participar de ações internacionais promovidas pelas associações de classe, como a Abimóvel, e por órgãos governamentais como a Apex, também abre portas.Outro passo importante é o posicionamento estratégico de branding. Depois, a exportação costuma começar por países da América do Sul e Central. Em seguida, avança para mercados mais exigentes, como Estados Unidos e Europa. Para isso, é essencial controlar custos, cumprir requisitos ambientais e fortalecer o design autoral.

  • Entrevista: Historiadora Glauce Navarro Burity

    Entrevista: Historiadora Glauce Navarro Burity

    Ela lança dia 4 biografia sobre a vida do Governador Tarcísio Burity

    A ex-Primeira Dama da Paraíba, Glauce Navarro Burity, professora universitária aposentada, historiadora, pesquisadora, membro do Instituto Histórico e Geográfico Paraibano, autora de diversos livros, entre eles “A presença dos franciscanos na Paraíba, através do Convento de Santo Antônio” e “Anthenor Navarro – um homem além do seu tempo”, lança, dia 4 de dezembro próximo, às 19h, na sala de concertos Maestro José Siqueira, no Espaço Cultural, a biografia “Tarcísio Burity: O Intelectual na Política Paraibana” sobre a vida e obra do marido, o governador Tarcísio de Miranda Burity “Acredito que, não apenas eu e a família, mas os paraibanos, sentem-se orgulhosos em ver um legado de obras, de valor significativo, deixado por Tarcísio Burity nos dois mandatos de governo”. Confira a entrevista concedida a jornalista Rosa Aguiar

    . Como surgiu a ideia de escrever a biografia de Tarcísio Burity?

    –  A ideia surgiu após o falecimento dele. Ao organizar a biblioteca e o arquivo, vi-me diante do mar infinito de informações      que poderiam ajudar a alguém que solicitasse algo sobre ele. A mídia tinha voltado a lembrar da tentativa de homicídio qualificado de que fora vítima. Certa vez, indignado com as notícias injustas e desprovidas de verdade, ele olhou para mim e disse:-Escreva alguma coisa sobre este crime – com isenção e lisura. Assim, depois de anos, decidi, movida pelo desejo de dizer a verdade, escrever a sua biografia para ficar para a posteridade.

    .Fale sobre o livro: o que o leitor vai encontrar?

    – O livro sobre Tarcísio Burity é uma fonte analítica e histórica, especialmente por causa do seu papel político e das transformações que ele promoveu na Paraíba. O leitor vai encontrar informações desde o nascimento, as conquistas, os desafios, até o impacto após a morte.

    .Que aspectos mais impressionantes destacaria da vida do ex-governador?

    – Cada aspecto abordado da sua existência é deveras interessante e causa variadas interpretações, conforme a perspectiva de quem o examine.

    .O livro traz documentos e fotos?

    – Sim. Além de artigos de jornais, entrevistas, cartas e fotos em preto e branco e coloridas.

    . A sra. sente orgulho quando vê obras como o Espaço Cultural, o Mercado de Artesanato, entre outras que pode citar, construídas na gestão de Burity?

    – Acredito que, não apenas eu e a família, mas os paraibanos, sentem-se orgulhosos em ver um legado de obras, de valor significativo, deixado por Tarcísio Burity nos dois mandatos de governo. Além destas por você citadas, podemos ainda mencionar a Funad, obra de grande alcance social e humano; o Fórum da Capital; a restauração completa de monumentos históricos e artísticos;  restruturação da Orquestra Sinfônica da Paraíba/OSPB; o Hemocentro; os grandes conjuntos habitacionais, como Mangabeira e Valentina; o  Balcão da Ecomomia; entrega de Cilos metálicos; a Setusa, transporte popular de grande aceitação; construção de açudes, barragens e pontes; além de várias realizações de cunho turístico que vieram incrementar o turismo no Estado, como o Aeroporto Castro Pinto, a Via Intermares e o Pólo Turístico.

    . O livro tem quantos  capítulos?

    – O livro, após tantas modificações, contém 14 capítulos, que falam sobre do nascimento à juventude, a formação acadêmica, a atuação profissional, quando foi secretário de Educação e Cultura, o 1º Mandato de Governador do Estado, o Mandato de Deputado Federal, o 2º Mandato de Governo e as realizações mais relevantes nos dois governos. Tarcísio, como intelectual nato, não poderia deixar de ter um capítulo à parte e nele citei os Festivais de Arte, Seminários Paraibanos de Cultura, Seminários de Filosofia do Direito, coordenado pelo Jurisconsulto Miguel Reale, Festivais Internacionais de Música Clássica, com a participação de renomados músicos, e ainda os pós governo, da resistência ao adeus, os caminhos da impunidade e, afinal, às referências bibliográficas.

    . Você fala sobre o amor dele pela música?

    • O amor de Tarcísio pela música é um aspecto fascinante da sua personalidade. Ele tinha uma relação muito próxima com as Artes, e a música era uma de suas paixões. Promovia eventos, apoiando artistas locais e internacionais. Não só valorizava a música erudita, mas, também, a popular, que faziam parte do seu legado cultural.

    .D.Glauce, a senhora fala sobre a tentativa de assassinato que o ex-governador sofreu? Como tratou esse episódio lamentável na obra?

    – O crime cometido contra Tarcísio Burity foi tão bárbaro, tão covarde, que o melhor mesmo a fazer é ler o livro e analisar os fatos em ordem cronológica, com base no Inquérito Policial do Departamento de Polícia Federal.

    .O que quer deixar com o livro? É uma maneira de não esquecerem Tarcísio Burity?

    – Concluído o livro,após longas pesquisas e depoimentos para mostrar a verdade dos fatos históricos, sinto-me plenamente realizada de haver deixado para a posteridade sua história de vida e de legado, sem rancor e sem ódio. A biografia de Tarcísio Burity serve como instrumento de preservação da História. É uma maneira de perpetuar o conhecimento e inspirar futuras gerações, garantindo que ele nunca seja esquecido.

                                                               XXX

  • Entrevista: Elizete Ribeiro, CEO do Tauá Resort JP

    Entrevista: Elizete Ribeiro, CEO do Tauá Resort JP

    Empreendimento já gerou mais de 1.400 empregos e inaugura em julho de 2026

    Elizete Ribeiro é quem vem conduzido uma nova fase de expansão do grupo Tauá marcada por inovação, sustentabilidade e compromisso social. A executiva formada em administração pela Universidade Federal de Minas Gerais e com MBA em Administração pela Fundação Dom Cabral, se tornou a primeira mulher da família a liderar a empresa. Sua gestão é norteada por uma visão estratégica e voltada para o crescimento responsável, que equilibra o desenvolvimento econômico e a valorização das comunidades no entorno. Na entrevista, ela compartilha detalhes sobre o mais novo investimento do Tauá: o primeiro resort do grupo no Nordeste, que será inaugurado em João Pessoa, em 1º de julho de 2026. 

    . Como o Grupo Tauá tem se posicionado no mercado nacional e quais são as diretrizes que norteiam sua expansão pelo Brasil?

    – O Grupo Tauá nasceu em Minas Gerais e tem crescido de forma muito consistente, sempre apostando em valores como a hospitalidade, valorização das pessoas e compromisso com a sustentabilidade. Nós não buscamos simplesmente aumentar o número de unidades, queremos expandir com propósito, escolher destinos que tenham potencial de desenvolvimento e que possam se beneficiar da  nossa presença.

    Atualmente, além de Minas, nós já temos unidades consolidadas em Goiás e São Paulo. Com João Pessoa nós iremos somar mais de 2.800 apartamentos. Nós teremos restaurantes à la carte, experiências gastronômicas variadas e de alta qualidade, tudo isso com o público infantil como protagonista! Temos pensão completa, muitos espaços pensados para as diferentes faixas de idade e, para os adultos, nós oferecemos uma estrutura de tirar o fôlego.

    O nosso foco é consolidar o Tauá como uma marca referência em lazer, entretenimento e hospitalidade familiar no Brasil. Cada novo resort é pensado para oferecer experiências completas e acolhedoras. João Pessoa, por exemplo, reflete perfeitamente esse novo momento do Tauá: um projeto inovador, sustentável e conectado ao desenvolvimento regional.

     . Como surgiu a ideia de um resort para João Pessoa?

    – Há três anos, nós fizemos um estudo para entender possíveis locais de crescimento. É importante ter esse cuidado porque o nosso negócio envolve grandes resorts, como eu já disse, não podemos simplesmente construir onde queremos, é necessário avaliar questões logísticas, como o acesso das pessoas ao local, distância das cidades vizinhas, tudo isso… Esse estudo, nos trouxe algumas opções de lugares para investir, mas, até então, não achamos um destino que considerássemos ideal. 

    Até que eu encontrei um amigo em uma feira onde eu fui palestrante, ele estava no estande Cabo Branco. Lá eu vi um folder do Centro de Convenções e perguntei: “Quando esse lugar fica pronto?”. Me responderam que já existia e que queriam trazer hotéis para lá. João Pessoa não era um destino muito óbvio na época, mas eu resolvi conhecer a cidade. Fomos visitar o Polo Cabo Branco junto ao governador João Azevedo e ele me contou que o objetivo era transformar aquele espaço, investir muito em turismo e fazer acontecer de fato. E assim, decidimos escolher a cidade como próximo destino.

    . O que poderemos esperar encontrar no Tauá João Pessoa?

    – É um projeto grandioso, foram investidos mais de 600 milhões nesse empreendimento. A cidade vai receber um resort com todos os espaços existentes nas unidades que já estão ativas e muito mais! Teremos o primeiro Aquapark indoor e climatizado do Nordeste, apartamentos a partir de 55m², todos com varanda e banheira privativa, uma piscina de ondas, simulador de surf, a nova Jota City 4.0, que é um espaço tecnológico e educativo para crianças, áreas exclusivas como o espaço baby, o espaço kids, o espaço teen e o ambiente sensorial para crianças neurodivergentes. Também teremos boliche, lojas, academia, spa, lojas, cafés, quiosques e oito restaurantes temáticos, com opções nordestinas e internacionais.

    . No que diz respeito a geração de empregos em João Pessoa, qual o impacto do Tauá Resort?

    Desde o início das obras, nós já geramos cerca de 1.400 empregos diretos e indiretos. Abrimos o processo de recrutamento em agosto e, até julho, temos mais 678 vagas a serem preenchidas. Inicialmente, a prioridade foi o recrutamento interno de nordestinos que desejavam retornar para a sua região. Mais de 100 pessoas se candidataram, e achamos esse resultado incrível! Priorizamos a contratação de mão de obra nordestina e fornecedores locais, então vamos seguir nesse ritmo. As pessoas interessadas já podem se candidatar pelo site www.tauaresorts.com.br, na seção “Trabalhe conosco”.

    . Como o Grupo pretende equilibrar crescimento econômico e responsabilidade social nesse novo empreendimento?

    – Nós temos preocupações genuínas em relação à sustentabilidade de modo geral. Fizemos muitos estudos e análises técnicas que orientaram a adoção de boas práticas nesse sentido. Já somos um resort com certificação Carbono Neutro e também vamos adotar uma operação livre de plástico. Além disso, incentivamos várias ações sustentáveis internas com os hóspedes, como a gestão de resíduos.

    .No ano passado vocês oficializaram o Instituto Tauá como um braço social do grupo. Como o Instituto atua?

    – O Instituto Tauá surgiu de uma necessidade de oferecer apoio às comunidades que estão nos arredores dos empreendimentos do Grupo. Nossa entidade atua principalmente com enfoque na educação de crianças e jovens, e, desde a implementação do instituto, quase 48 mil pessoas já foram impactadas. Estamos sempre em busca de realizar ações de responsabilidade social que visem a promoção da cidadania e oportunidade de crescimento para todos que conseguimos alcançar. Nossa primeira ação aqui em João Pessoa foi em parceria com lideranças da Comunidade do Aratu, em Mangabeira VIII. Nós doamos uma verba para auxiliar na construção de uma sala de aula de reforço para as crianças da comunidade, e já temos muitos outros planos pela frente. Tudo isso com o objetivo de ser uma empresa mais consciente, que, para além do turismo, investe no desenvolvimento sustentável e social.

  • Entrevista: Pedro da Cunha e Menezes, diretor de Áreas Protegidas do Ministério do Meio Ambiente

    Entrevista: Pedro da Cunha e Menezes, diretor de Áreas Protegidas do Ministério do Meio Ambiente

    Ele vem à Paraíba participar do Congresso Paraibano de Gestão de Trilhas de Longo Curso, em Araruna, e visitar o Parque Nacional Serra do Teixeira.

     O Brasil sedia em novembro próximo a Conferência da ONU para o Clima, a Paraíba tem um Parque Nacional para gerir, tem  o Caminho das Ararunas – a maior trilha de longo curso do Nordeste. A pauta do meio ambiente e da preservação em consonância com o turismo está cada vez mais próxima. O diretor de Áreas Protegidas do Ministério do Meio Ambiente e Mudanças Climáticas, Pedro da Cunha e Menezes conversou com o Mais Turismo e Cultura e fala sobre os desafios e conquistas na área. “Talvez nosso maior desafio seja colocar todos os brasileiros na mesma página, em um esforço nacional conjunto e persistente para termos um país ambientalmente mais saudável”. Sobre gestão de áreas protegidas, ele afirma:  “Não há contradição entre conservação e visitação”.  Ele chega esta semana a Paraíba. Confira a entrevista completa concedida a jornalista Rosa Aguiar.

    . O Brasil sedia a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas em novembro, a COP30. O que vamos mostrar ao mundo em relação a questões climáticas, sustentabilidade, Amazônia, parques ?

    –  A COP, primeiramente, é uma negociação internacional entre países. Esta é sua função primordial. Em seu entorno, entretatanto, existe a oportunidade de mostrar ao mundo algumas políticas públicas relevantes para o Brasil, como nosso Sistema Nacional de Unidades de Conservação, o ARPA, o Plano Clima, as ações de transição energética e de reflorestamento, entre outras. Nesse sentido, vamos, naturalmente, mostrar a Rede Brasileira de Trilhas em todo seu esplendor. Pretendemos inaugurar, às vésperas da COP, a Trilha Amazônia Atlântica cujos 460 km ligam 7 unidades de conservação e 6 terras quilombolas, entre a divisa Maranhão-Pará, e o Parque Estadual do Utinga, no coração de Belém do Pará. Trata-se da primeira Trilha de Longo Curso no bioma e estamos bem orgulhosos dela. https://trilhaamazoniaatlantica.com.br/

    .  Quais são os maiores desafios deste Governo na gestão do meio ambiente?

    – As questões ambientais extrapolam governos. Elas não têm filiação político partidária. Com efeito, a seca, os desastres naturais, a poluição hídrica, o aquecimento global e a desertificação afetam a esquerda, a direita e os isentões com igual virulência. Nesse sentido, os desafios desse governo são os desafios do Brasil e não desaparecerão após as eleições de 2026. O Brasil ainda tem muito que trilhar para ser um país ambientalmente saudável: precisamos levar o saneamento a 100% dos domicílios, limpar nossa matriz energética, reduzir o desmatamento, frear a perda de biodiversidade, manejar nossos estoques pesqueiros e reduzir a desertificação por meio da restauração ecológica. Trata-se de esforço para algumas décadas. Talvez nosso maior desafio seja colocar todos os brasileiros na mesma página, em um esforço nacional conjunto e persistente para termos uma país ambientalmente mais saudável.

    . Desde o fim da pandemia tem aumentado a procura por atividades junto à natureza mas parece que ainda falta segurança nos parques e áreas protegidas O que acha?

    – Segundo o Instituto Semeia, em 2023, os parques naturais brasileiros receberam 15,9 milhões de visitas, o que é um aumento de 160% em relação às visitas registradas em 2012. Ou seja, há uma clara tendência de aumento na demanda por recreação em contato com a natureza no Brasil. Para fazer frente a esse incremento, o Brasil tem se organizado de forma coordenada entre as três esferas de governo. Temos atuado em vários campos. No campo jurídico, a equipe da Ministra Marina Silva se coordenou com a Câmara dos Deputados, sob a liderança do deputado Túlio Gadelha, para aprovar o Projeto de Lei 4870/24, que criou a política nacional de visitação de parques ambientais, com previsão de fundo privado para financiar infraestrutura de visitação. Nos estados também temos buscado parceiros nas Assembléias Legislativas, como os deputados estaduais Goura (PR) e Marquito (SC), entre outros parceiros. Também há a implementação de uma política que visa a estruturar a visitação em algumas unidades de conservação por meio da concessão de serviços à iniciativa privada, como o que já acontece nos Parques Nacionais do Iguaçu, Tijuca e Itatiaia, e nos Parques Estaduais de Vila Velha e Cantareira, entre outros. Sem dúvida nenhuma, entretanto, a principal política pública para a segurança do visitante hoje é a Rede Brasileira de Trilhas. As trilhas, afinal, são a ferramenta que mais de 80% dos visitantes usam para visitar nossos parques e reservas. Trilhas bem sinalizadas e manejadas reduzem a quantidade de acidentes e de pessoas perdidas, melhorando a qualidade da recreação em contato com a natureza. Uma trilha bem-sinalizada trás tranquilidade ao visitante.

    Em outro plano, o ICMBio, de uns anos para cá, passou a contar com Analistas Ambientais Temporários especialmente dedicados ao uso público, com o respectivo treinamento específico.

    Por fim, estamos conversando com os Corpos de Bombeiros estaduais para que eles integrem a Rede Brasileira de Trilhas de forma sinérgica com os gestores de unidades de conservação e a governança de cada trilha. O Corpo de Bombeiros do Estado de São Paulo, por exemplo, tem um trabalho exemplar de prevenção e de busca e salvamento nos trechos mais desafiadores da Trilha Transmantiqueira, como as Travessias da Serra Fina e Marins-Itaguaré. Ainda este ano, em parceria com os Bombeiros, o Fórum de Lideranças Estaduais do SNUC (FSNUC), o ICMBio, o Semeia, a Abeta e a Rede Brasileira de Trilhas farão um grande seminário para discutir as políticas nacionais de prevenção, de busca, salvamento e resgate para o uso público em unidades de conservação e nas trilhas do Brasil.

    . A Paraíba tem o Parque Nacional da Serra do Teixeira, com 61 mil hectares. Como preservar a área e, ao mesmo tempo, torná-la viável economicamente? O senhor vem ao Estado para visitar? Qual o objetivo?

    – Não há contradição entre conservação e visitação. A Lei do Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza, que rege tudo o que diz respeito aos Parques, Reservas e outras Áreas de Proteção Ambiental no Brasil, acabou de completar 25 anos em julho de 2025.  Essa Lei tem 13 objetivos. Um deles é “favorecer condições e promover a educação e interpretação ambiental, a recreação em contato com a natureza e o turismo ecológico”.

    A Lei do SNUC divide as unidades de conservação em 12 categorias. Nessa toada, justamente a categoria Parque, na qual a Serra dos Teixeiras se encaixa, é a única que tem entre seus objetivos básicos “…a preservação de ecossistemas naturais de grande relevância ecológica e beleza cênica, possibilitando a realização de atividades….de recreação em contato com a natureza e de turismo ecológico”. Para que o Parque gere emprego e renda no entorno, é fundamental que tenha boa estrutura de visitação, como mirantes, locais de acampamento e trilhas que permitam sua visitação. Minha visita ao Parque se encaixa nesse objetivo. Vim ministrar, junto com o ICMBio, um curso de planejamento, sinalização e implementação de trilhas no padrão da Rede Brasileira de Trilhas. Este é o primeiro passo para a estruturação da visitação no Parque Nacional da Serra dos Teixeiras.

    . A Paraíba tem a maior trilha de longo curso do Nordeste que é o Caminho das Ararunas, com 155 km. O senhor estará em Araruna, vai conhecer um trecho?

    – O Caminho das Ararunas é uma das trilhas mais bonitas do Nordeste e do Brasil. Por ela, é possível conhecer por dentro a Caatinga, único bioma exclusivamente brasileiro. Com efeito, o Caminho das Ararunas foi a primeira trilha de longo curso a se estruturar no Nordeste. Por isso mesmo é referência hoje. Não há melhor lugar para sediar o primeiro Congresso Paraibano de Trilhas. Naturalmente vou conhecer pelo menos um de seus trechos. É inconcebível para mim vir à Paraíba e não trilhar o Caminho das Ararunas. Tenho certeza que vou amar.

    . Estão sendo formatadas mais 7 trilhas na Paraíba, inclusive uma delas só por mulheres e para mulheres. Como vê esse interesse das pessoas e o crescimento dessa modalidade?

    – Há uma grande demanda reprimida. Se a gente viajar pelo interior do Brasil, não importa o Estado, vai ver que, no fim da tarde, na periferia das cidades médias e pequenas, as pessoas estão saindo para caminhar com roupas de ginástica na última moda e tênis caros…no asfalto, na beira das rodovias. Em todos os lugares em que implementamos trilhas, Lorena, Silvânia, Ibiapaba, Taguatinga, entre outros, vimos a população imediatamente responder, com um significativo afluxo de visitação nos respectivos novos circuitos em contato com a natureza. É natural, caminhar em meio à natureza, à sombra das árvores, ouvindo o canto dos pássaros, é muito mais prazeroso que dividir espaço com a fumaça e barulho dos carros ,em um acostamento com o chão de asfalto e sem sombra. A demanda está posta pela cidadania. Cabe ao poder público implementar as trilhas que estão sendo demandadas. Com esses 7 projetos em curso, a Paraíba mostra que está atenta às reivindicações da população.

    . Como será sua participação no Congresso Paraibano de Gestão de Trilhas de Longo Curso que acontece em Araruna, a nossa capital da aventura, de 19 a 21 deste mês?

    – Representarei o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima no Congresso Paraibano de Trilhas. Vou apresentar a política pública para os congressistas e mostrar seus benefícios, tanto para o poder público, quanto para a iniciativa privada, quanto para os cidadãos e para o Meio Ambiente que, ao fim e ao cabo, são os os maiores beneficiários da Rede Brasileira de Trilhas.

  • Entrevista: Maria Júlia Baracho, diretora executiva do Engenho Triunfo, em Areia

    Entrevista: Maria Júlia Baracho, diretora executiva do Engenho Triunfo, em Areia

    No dia Nacional da Cachaça, conversamos com a produtora de um dos engenhos mais bem sucedidos da Paraíba

    Dia 13 de setembro é comemorado o Dia Nacional da Cachaça, a bebida genuinamente brasileira, que nasceu junto com o Brasil. Nesta entrevista. A produtora Maria Júlia Baracho, diretora executiva do Parque Engenho Triunfo de Areia-PB, um dos equipamentos turísticos mais bem conceituados da Paraíba, fala sobre a importância da produção de cachaça de qualidade no brejo paraibano, os fatores que levaram a Triunfo a se tornar uma referência nacional, os desafios do setor e os próximos passos para o futuro.

    . Qual a importância de produzir cachaça de qualidade?

    – O propósito de produzir cachaça de qualidade acompanha a determinação de Antônio Augusto desde sempre. Isso impactou positivamente a imagem do destilado genuinamente brasileiro, em uma época em que a cachaça ainda era produzida para pobre e consumida, tão somente, pelo pobre. Hoje, fortalece a economia do brejo paraibano e firma a nossa referência de produtora de boa cachaça.

    . A Cachaça Triunfo é hoje uma das referências nacionais. Quais fatores foram determinantes para que a marca conquistasse esse reconhecimento?

    – A persistência, a capacitação, o trabalho duro, a disciplina e, acima de tudo, o amor pelo que fazemos.

    .Que retorno você recebe dos consumidores e do mercado em relação à Triunfo?

    – A Triunfo de Areia vai além de uma cachaça de qualidade. Ela é símbolo de amor, de luta e de superação.

    .Como você enxerga o papel da Triunfo dentro do cenário atual da produção de cachaça de alambique no brejo?

    – Somos exemplo de que vale a pena ser honesto, estudar, trabalhar e gastar menos do que se ganha.

    .A qualidade da cachaça Triunfo já foi reconhecida em premiações nacionais e internacionais. Como esses reconhecimentos impactam a marca e a região?

    .Eles reforçam que o combate à falsificação e os altos impostos continuam sendo desafios, mas também mostram que o nosso trabalho tem relevância e valor, elevando a imagem da cachaça do brejo para o Brasil e o mundo. A Cachaça Triunfo de Areia é realmente muito medalhada. Temos prêmios nacionais, até internacionais, mas a melhor cachaça é aquela que agrada ao paladar de quem consome. Tem até uma experiência pessoal que passei quando a Cachaça Triunfo Jaqueira recebeu a Medalha Duplo Ouro no Concurso Mundial de Bruxelas. Quando a gente estava comemorando isso, eu acredito que eu já estava na quinta dose, e tive a ousadia de dizer ao meu filho, Thiago, o químico da nossa empresa,  que eu gosto mesmo é da branquinha. A sorte é que ele já devia estar, então, na sexta dose, e me respondeu de forma tão poética que eu nunca esqueci. Ele falou assim: “Mãe, para que a Cachaça Triunfo Jaqueira obtenha essa medalha, é porque a branquinha também é muito medalhada, pois é a base, é como uma família. Então, com a família estruturada, a gente enfrenta os desafios da vida e se torna um Triunfo Fênix”.

    .Quais desafios você considera ainda necessários para que a produção de cachaça no brejo da Paraíba alcance patamares mais altos?

    – O combate à falsificação e a questão da carga tributária são os principais obstáculos que precisamos enfrentar para avançar ainda mais.

    .E olhando para o futuro, quais são os seus sonhos e próximos passos para a marca Triunfo?

    – Fomos contemplados com o incentivo do ICMS Cultural e estamos construindo o Memorial da Solidariedade, ampliando a fábrica de chocolate e investindo na experiência do Café Gourmet, produzido aqui no Engenho. Temos a certeza de que o Brasil começa na nossa casa, no nosso território. Com garra e determinação, podemos fazer deste país um lugar melhor de se viver.

  • Entrevista: Matheus Fabrício, Ceo de Franquias da Rede Blanc

    Entrevista: Matheus Fabrício, Ceo de Franquias da Rede Blanc

    Com atuação em Porto Alegre e São Paulo, rede anunciou  sua chegada à capital paraibana

    Fundado em 2018, em Porto Alegre (RS), o Blanc é um hospital geral com foco cirúrgico que atua em Porto Alegre e em São Paulo, em apenas sete anos, a rede ultrapassou a marca de 150 mil cirurgias eletivas premium atendendo 17 especialidades de alta, média e baixa complexidade. O Blanc dá mais um passo no plano de expansão nacional e anuncia a chegada ao Nordeste. Uma das novas unidades será instalada em João Pessoa (PB), no OMNI Life & Health — futuro Medical Center do Norte e Nordeste, que reunirá mall, medical center e torre residencial no bairro de Manaíra. O empreendimento será construído pela Massai. Na entrevista a seguir, Matheus Fabrício, CEO de Franquias da Rede Blanc, detalha o modelo de negócio da marca, os diferenciais da operação hospitalar e as expectativas para a atuação em João Pessoa.

    . O Blanc é um hospital de referência em gestão de excelência. Como é o processo de escolha de um parceiro, dentro do plano de expansão?

    – Estamos falando de uma parceria que precisa ser duradoura e eficiente para todos. Hospital é um investimento alto e complexo, então buscamos mitigar riscos com muita criteriedade na escolha. O que funciona bem é um mix entre pessoas da área da saúde, que conhecem a realidade da praça, e empresários com solidez financeira e perfil de gestão. Porque é um negócio complexo de operar e administrar, e para que se tenha uma rede sólida, que é referência no Brasil todo, nós temos que ter as pessoas certas ao nosso lado. O Blanc é focado em gestão, indicadores, resultados e margem, então queremos ter ao nosso lado parceiros que tenham o mesmo pensamento, mas com o “tempero” da saúde, cuidado com o paciente e o médico, porque isso é fundamental e o que nos diferencia. 

    .Como está o planejamento estratégico de expansão da rede pelo Brasil?

    -O Blanc tem um modelo específico, com diferenciais importantes. Adaptamos o projeto ao porte e à realidade de cada praça. Como somos um hospital cirúrgico, buscamos cidades com potencial significativo nesse tipo de atendimento. O foco são capitais ou polos regionais que atendem municípios vizinhos. Às vezes, uma cidade com 350 ou 400 mil habitantes pode receber o Blanc, desde que seja um polo regional de atratividade relevante. No Nordeste, nosso plano de médio a longo prazo é estar em todas as capitais e em regiões metropolitanas estratégicas. Analisamos população, PIB e estrutura hospitalar já existentes.

    .Como vocês encaram o desafio de levar esse modelo para o Nordeste, onde a cultura do atendimento premium na saúde ainda está em desenvolvimento?

    -Esse ponto é fundamental. Mesmo com um modelo de gestão que funciona, é preciso fazer uma tropicalização. O que funciona em Porto Alegre ou São Paulo não vai funcionar da mesma forma em Salvador, Recife ou Fortaleza, por exemplo. Tem que haver uma adaptação. Ainda que o mercado premium esteja em fase mais inicial na região, todo mundo quer ser bem atendido, com qualidade e conforto. O Blanc entrega isso a um preço competitivo. Para pacientes particulares, o valor é comparável — às vezes até menor — que o de hospitais que não oferecem a mesma experiência. E para as operadoras de saúde, que são nossas parceiras, também é um bom custo-benefício. Nosso foco é democratizar o acesso a uma saúde de excelência, e isso não tem fronteiras.

    . Qual sua impressão da cidade e a expectativa para a nova unidade?

    Eu e a diretoria temos viajado bastante nessa fase de expansão e João Pessoa nos impressionou muito positivamente. É uma cidade organizada, limpa, com trânsito tranquilo. Em relação ao OMNI Life & Health, onde vamos nos instalar, ele fala por si só. Não é um empreendimento de João Pessoa, é um empreendimento de nível nacional. Tenho 18 anos de experiência no mercado imobiliário e já participei do lançamento de vários mixed use no Brasil. O OMNI tem um capricho e um cuidado comparáveis aos melhores projetos de São Paulo, Rio, Brasília e Porto Alegre. Então estamos muito animados. O Blanc e OMNI se complementam.