15 de novembro: três mitos sobre a Proclamação da República

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A construção da narrativa em torno dos eventos históricos, não apenas no Brasil, mas em todo o mundo, está sempre sujeita às lentes dos protagonistas. No caso da Proclamação da República Brasileira de 1889, que marcou o fim do regime monárquico no país, não é diferente. Por ser um importante marco na história brasileira, a Proclamação da República está sujeita a interpretações divergentes sobre os acontecimentos da época. Segundo o especialista em Gestão de Teorias Educacionais e coordenador pedagógico da Conquista Solução Educacional, Ivo Erthal, é necessário entender o contexto histórico do momento que levou ao acontecimento. Sendo assim, o historiador destaca alguns pontos importantes da proclamação que não se desenrolaram exatamente conforme as narrativas contam.

A história conta que houve participação popular na Proclamação da República, mas há consenso entre os historiadores de que houve um golpe de estado orquestrado por lideranças econômicas, militares e religiosas. Os militares estavam insatisfeitos com o tratamento de D. Pedro II, principalmente por não terem sido enaltecidos após a Guerra do Paraguai, enquanto os religiosos se opunham à separação entre Igreja e Estado promovida pelo imperador. Esses fatos reduziram o poder e influência dele. “A participação do povo é um mito, pois esse envolvimento é considerado apenas em casos de plebiscito, movimentos populares ou voto, e nenhum desses ocorreu”, aponta Erthal.

E as elites agrárias brasileiras também participaram do golpe por conta da insatisfação com o imperador. Esse descontentamento se originou principalmente porque eles sentiram-se prejudicados com o fim da escravidão no Brasil. “A história mostra o mito de que a Proclamação da República foi um movimento antiabolicionista, mas na realidade, era exatamente o contrário”, revela.

Erthal conta que um dos maiores equívocos que envolvem a Proclamação da República é de que foi um acontecimento pacífico e bem aceito pela população brasileira. “Nos dez anos que seguiram à proclamação, houve registros de fortes movimentos de rebelião e conflitos armados, como a Revolta da Armada, a Revolução Federalista e a Guerra de Canudos”, lembra o historiador. Ele recomenda três leituras fundamentais para entender melhor esse período da história brasileira: “1899”, de Laurentino Gomes; “História da República: Síntese de 65 Anos da Vida Brasileira”, de José Maria Bello; e “Da Monarquia à República: Momentos Decisivos”, de Emília Viotti da Costa.

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